quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Festa das Fogaceiras... desde 1505 a cumprir o voto o São Sebastião!

(imagem gentilmente cedida por um amigo)

No próximo sábado, dia 20 de janeiro a Festa das Fogaceiras, a mais antiga e simbólica festividade religiosa do concelho de Santa Maria da Feira, sendo também celebrada além-fronteiras – no Brasil, na Venezuela e na África do Sul – pelas comunidades portuguesas.

A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao Mártir S. Sebastião, feito pelo povo da Terra de Santa Maria, numa altura em que a região teria sido assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de proteção, o povo prometeu, em cada dia 20 de janeiro, uma procissão e a oferta de um pão doce e delgado, habituado a ser confecionado para ocasiões especiais: a fogaça.

Esta devoção popular do culto a S. Sebastião recrudesceu na época medieval, devido às catástrofes da altura, como aconteceu em 1505, levando a que manifestações religiosas anteriores, como a festa do Espírito Santo, promovida na época da rainha Santa Isabel, donatária do Castelo da Feira, fossem convertidas no cerimonial da devoção ao Mártir, sempre acompanhado pela fogaça, o pão doce distribuído pelos pobres, dando continuidade à partilha comunitária e assistencial já vivida.
No início do cumprimento do voto, é referida a existência de três fogaças confecionadas especificamente para o ritual da devoção, que eram levadas em procissão por três jovens donzelas, desde o Castelo até à Igreja Matriz, onde eram benzidas, cortadas e repartidas pelo povo aí presente, servindo de paliativo contra os males do mundo: a fome, a peste e a guerra.
Em 1758, continuam a ir em procissão cinco jovens: três delas levam à cabeça as fogaças de um alqueire cada uma; uma leva o tabuleiro com cinco velas; e outra leva à cabeça a miniatura do Castelo da Feira “ornado de muitas bandeiras”. Nesta altura, a fogaça poderia já ter o formato que tem hoje, com a representação das quatro torres do Castelo de Santa Maria, também visto como símbolo de união deste vasto território que outrora se designou por Terra de Santa Maria.
Com o cerimonial um pouco diferente após a implantação da República, acrescenta-se o Cortejo Cívico, realizado antes da Missa Solene, e que sai dos Paços do Concelho até à Igreja Matriz do Espírito Santo, incorporando dezenas, e por vezes, centenas de meninas calçadas e vestidas de branco com uma faixa de cor à cintura – as fogaceiras –, levando à cabeça a doce Fogaça da Feira, mantendo-se a tradição dos três mandados – as três fogaças maiores –, o tabuleiro com as velas de cera e o castelo em miniatura, ornamentados com bandeiras feitas de papel colorido, recortadas de maneira a que lembrem as muralhas do castelo, acompanhadas, no couce do cortejo, pelas autoridades políticas, administrativas, judiciais e militares e outras personalidades de relevo na vida municipal.
A Procissão solene realiza-se a meio da tarde, congregando o Cortejo Cívico com os símbolos religiosos, destacando-se o Mártir S. Sebastião e a Nossa Senhora do Castelo. Durante o Estado Novo, os três mandados – três grandes fogaças – deixaram de ser repartidos pelo povo presente na cerimónia, passando a ser distribuídos pelos reclusos da prisão da Feira e pessoas consideradas mais carenciadas. Atualmente, os mandados são enviados às entidades religiosas, militares e administrativas do concelho de Santa Maria da Feira.
(in https://www.cm-feira.pt)



(imagem da net)


(imagem da net)



(imagem da net)

Roteiro para o fim de semana... saborear as Fogaças de Santa Maria da Feira!

1 comentário:

conceicao disse...

Pelas fotos deve ser muito bonita a festas, não conhecia.
Bj